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“Ninguém opta por ser ou não cigano, nascemos como elementos pertencentes a uma etnia minoritária com uma identidade muito própria. É a partir daí que somos identificados como grupo, como ciganos.

Não me envergonho de ser cigano… embora o simples facto de pertencer a esta etnia faça com que nós tenhamos que lidar com a rejeição.

Djelem Djelem — é o hino do povo Rom, geralmente conhecido pelo seu exónimo (povo cigano) e significa “caminhei caminhei”.

Em Portugal não existem relatos do aparecimento deste povo, embora sem data exacta os documentos mais antigos e conhecidos falam da presença dos ciganos no nosso país remontem ao Séc. XV. Socialmente os ciganos são divididos em 3 grandes grupos: Rom (leste europeu) Sinti (Alemanha, França, Áustria e Suíça) Kalon (Portugal e Espanha) existindo ainda muitas outras subdivisões. Cada um destes grupos diferencia-se dos demais pelo dialecto (derivado do Romani), hábitos, tradições específicas, vestuário, etc.

Devido à inexistência de documentos escritos que comprovem a origem deste povo, têm surgido ao longo dos séculos, diversas lendas e crenças que se têm difundido entre as famílias e sustentam algumas teorias da sua origem. O principal meio de subsistência deste povo era através do comércio de cavalos, diversos grupos vagueavam pelo país, a que se juntavam fugitivos. Em 1526 D. João III, Rei de Portugal, proibiu o povo cigano de entrar Portugal, ordenando consecutivamente a expulsão de todos os que viviam dentro do território. Durante séculos foi realizada legislação com a mesma finalidade: a de expulsar os ciganos de Portugal. Somente a partir do Séc. XIX é que o Estado acabou por considerá-los cidadãos portugueses.

O povo cigano é um grupo social minoritário, ignorado de modo geral pela sociedade, impossibilitando-os de usufruir em pleno: o direito à saúde, à educação, ao apoio social e à justiça, baseando a sua convivência social em função dos valores e tradições inerentes ao seu povo.

Falar do povo cigano pressupõe falarmos de uma cultura milenar, nómada e ágrafa. Segundo muitos historiadores e antropólogos a origem do povo cigano encontra-se na Índia ou no Egipto, ou até mesmo na Grécia. Os primeiros ciganos terão começado a entrar na Europa por volta do século XII, vários grupos migraram, em vagas sucessivas por diversas razões, provavelmente entre os séculos III e VIII, através da Pérsia, da Arménia e de outras regiões em direção à Europa, onde terão chegado entre os séculos XII e XIV. A sua presença na Península Ibérica só muito mais tarde é que é comprovada, por volta de 1425, mais especificamente em Saragoça.

A marginalização e a exclusão social têm acompanhado o povo cigano ao longo destes seis séculos e hoje ainda carrega consigo o peso deste estigma social. Na época do nazismo, muitos ciganos foram levados para os campos de concentração e exterminados. Calcula-se que meio milhão de ciganos tenha sido eliminado durante o regime nazi. Esta etnia tão mística sobrevive hoje de artesanato, comércio de tapetes, especiarias e arte difundida em metal.

Diz-se que este povo constituía uma casta indiana inferior que foi expulsa – ou que saiu – do norte da Índia por volta do Séc. X e começou uma viagem que iria durar cerca de 500 anos, até os seus descendentes se fixarem em diferentes partes da Europa. Depois de uma paragem na Ásia no Séc. XIV, o grupo começa a expandir-se pela Europa toda. Ao longo do tempo, seguiram diferentes rotas, sempre na direção do ocidente, o que levará cada subgrupo a desenvolver características diferentes, derivadas do contacto com outras culturas e a fixarem-se em várias regiões da Europa. Não se sabe com certeza se os ciganos chegaram à Península Ibérica pelo Sul (norte de África) ou pelo Norte (França). Várias teorias são avançadas para explicar a sua entrada em Portugal: uma delas é que teriam sido convidados a entreter a corte real enquanto saltimbancos ou feiticeiros. É a partir do Séc. XVI que começam as animosidades e perseguições contra os ciganos. Em toda a Europa, verificaram-se políticas incoerentes que oscilam entre a assimilação forçada e a rejeição total deste povo, indo da expulsão até à condenação à morte.

Por um lado, estamos a aprender a lidar com a lei e com o facto de esta nos defender e não apenas nos incriminar. Por outro lado, a quebra de venda ambulante, empurra os nossos filhos para a escola em busca de melhores condições de vida no futuro, o que se traduz numa maior abertura aos valores e costumes da sociedade dominante. Em Portugal as tradições ciganas ainda estão muito vivas e para preservarmos uma cultura milenar como a nossa é necessário sermos coesos e unidos. Assim sendo, nós temos de viver dentro da lei e da cultura dominante, mas defendendo os nossos valores enquanto ciganos.



Nais tuke!


Versão Romani


Gelem, gelem lungone dromensar galem
maladilem baxtale Rromençar
A Rromalen kotar tumen aven
E chaxrençar bokhale chavençar

A Rromalen, A chavalen

Sàsa vi man bari familja
Mudardás la i Kali Lègia
Saren chindás vi Rromen vi Rromen
Maskar lenoe vi tikne chavorren

A Rromalen, A chavalen

Putar Dvla te kale udara
Te saj dikhav kaj si me manusa
Palem ka gav lungone dromençar
Ta ka phirav baxtale Rromençar

A Rromalen, A chavalen

Opre Rroma isi vaxt akana
Ajde mançar sa lumáqe Rroma
O kalo muj ta e kale jakha
Kamàva len sar e kale drakha

A Rromalen, A chavalen.

Versão Portuguesa


Caminhei, caminhei por longos caminhos
Encontrei afortunados roma
Ai, roma, de onde vêm
com as tendas e as crianças famintas?

Ai, roma, ai, rapazes!

Também tinha uma grande família
foi assassinada pela Legião Negra
homens e mulheres foram esquartejados
entre eles também crianças pequenas.

Ai, roma, ai, rapazes!

Abre, Deus, as negras portas
para que eu possa ver onde está minha gente.
Voltarei a percorrer os caminhos
e caminharei com os afortunados roma.

Ai, roma, ai, rapazes!

Avante, roma, agora é o momento,
Venham comigo os roma do mundo
Da cara morena e dos olhos escuros
Gosto tanto como das uvas negras

Ai, roma, ai, rapazes!



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